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Publicado em 25/03/2016 - 19:30

Bocalom nega ter recebido dinheiro da Operação Lava Jato

PF apreendeu planilhas com doações a mais de 200 políticos de 18 partidos.
Ex-candidato ao governo do Acre se manifestou em nota nesta quinta (24).

O nome do ex-candidato ao governo do estado Acre Tião Bocalom (DEM-AC) é um dos que aparece em planilhas da construtora Odebrecht como beneficiário de possíveis doações de campanha feitas pela empreiteira.

Tião Bocalom diz que está a disposição para prestar esclarecimentos às autoridades (Foto: Reprodução Internet)

Tião Bocalom diz que está a disposição para
prestar esclarecimentos às autoridades (Foto:
Reprodução Internet)

De acordo com as tabelas, os repasses foram feitos pela empreiteira para as campanhas municipais de 2012 e para as eleições de 2010 e de 2014. As planilhas foram apreendidas pela PF durante a 23ª fase da Operação Lava Jato, que teve como alvo principal o marqueteiro João Santana, que trabalhou em diversas campanhas do PT.

Não é possível, porém, afirmar que se tratam de doações legais de campanha ou feitas por meio de caixa 2, já que os documentos não detalham se os valores, de fato, foram repassados e se foram pagos em forma de doação oficial.

A lista, divulgada na quarta-feira (23), foi apreendida na residência do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Junior, que foi preso temporariamente pela Lava Jato e liberado posteriormente pela Justiça.

Em nota, Bocalom diz querer que o caso seja esclarecido. Ele ainda nega ter sido beneficiário de qualquer recurso enviado pela Odebrecht.

“Tenho pressa que o MPF e a PF, esclareçam logo esta história. O Democratas Nacional me informou pessoalmente ontem à tarde [quarta-feira, 23], através de seu tesoureiro, que não recebeu nenhum recurso carimbado da Odebrecht para o Tião Bocalom. O que eles repassaram, R$ 300 mil, era deles, Democratas Nacional”, afirma.

O ex-candidato disse ainda que está a disposição dos órgãos fiscalizadores para prestar esclarecimentos. “De uma coisa, tenho certeza: Este dinheiro, nunca chegou em nossas mãos (…) Apesar de meus 17 anos de mandato, orgulho me de nunca ter respondido sequer, a um processo por malversação do dinheiro público.”, diz.

Tião Bocalom já foi eleito prefeito do município de Acrelândia por três vezes, a primeira em 1993, a segunda em 2000 e por fim, em 2004. Em 2010, ele se candidatou ao governo do Acre pela primeira vez. Nesse período ele estava no PSDB. Dois anos depois, Bocalom foi candidato a prefeito de Rio Branco. Nas eleições de 2014, ele concorreu novamente ao governo do estado, dessa vez pelo DEM.

Sigilo
Nesta quarta-feira (23), após as planilhas terem sido divulgadas na imprensa, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância, determinou o sigilo sobre os documentos.

“Aparentemente, na residência de Benedicto Barbosa da Silva Júnior, foram apreendidas listas com registros de pagamentos a agentes políticos. Prematura conclusão quanto à natureza desses pagamentos. Não se trata de apreensão no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht e o referido Grupo Odebrecht realizou, notoriamente, diversas doações eleitorais registradas nos últimos anos”, diz o juiz no despacho.

“De todo modo, considerando o ocorrido, restabeleço sigilo neste feito e determino a intimação do MPF para se manifestar, com urgência, quanto à eventual remessa ao Egrégio Supremo Tribunal Federal para continuidade da apuração em relação às autoridades com foro privilegiado”, conclui Moro.

Confira a íntegra da nota de Bocalom:

Queridos amigos Acreanos!

Com relação ao meu nome ter aparecido na lista de projeções 2014 da Odebrecht, com o suposto repasse de R$ 400, 00 (devem estar dizendo mil) à minha campanha, venho informar a cada um de vocês, que:

QUEM NAO DEVE, NAO TEME!

Tenho pressa que o MPF e a PF, esclareçam logo esta história.

O Democratas Nacional me informou pessoalmente ontem à tarde, através de seu tesoureiro, que não recebeu nenhum recurso carimbado da Odebrecht para o Tião Bocalom. O que eles repassaram, 300 mil Reais, eram deles, Democratas Nacional.

Estou à disposição imediata destes dois órgãos fiscalizadores e sérios, que tanto estão contribuindo para um futuro mais limpo e transparente na condução da gestão pública no Brasil, para dirimir quaisquer dúvidas.

De uma coisa, tenho certeza: Este dinheiro, nunca chegou em nossas mãos.

Todos os que acompanharam nossa campanha em 2014, puderam ver que nossos recursos eram escassos, ao ponto de mantermos o nosso único comitê na própria sede do partido, na avenida Nações Unidas, e um escritório de gestão num local cedido pelo nosso candidato a senador, na avenida Getúlio Vargas.

Devo esclarecer também, que estou perplexo, como o meu nome foi aparecer no meio das grandes figuras nacionais, pois sou apenas um professor que luta para sobreviver, e trava uma luta desproporcional com o PT Acreano desde 2002, carregando sempre a Bandeira de uma gestão pública mais transparente, eficiente e sem corrupção, o que na prática já demonstrei, quando fui vereador no Paraná, prefeito por 3 vezes de Acrelândia, e secretário de Estado entre 1999 e 2000. Apesar de meus 17 anos de mandato, orgulho me de nunca ter respondido sequer, a um processo por malversação do dinheiro público.

Mantenho firme minha fé nas instituições que lutam por um Brasil mais sério e humano, e que, ao final de tudo, minha inocência ficará provada.

Tião Bocalom
Presidente estadual do Democratas e candidato a governador em 2014.

 

Com informações,
G1 Acre


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