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Publicado em 25/03/2016 - 17:14

Com medo de doenças, moradores evitam tomar açaí no interior do Acre

Quatro casos da doença já foram registrados em comunidade do interior.
‘Eu e várias pessoas não tomamos mais o açaí por medo’, diz moradora.

Anny Barbosa,
Do G1 AC

O agricultor Maurício da Conceição, de 64 anos, diz que toma mais cuidado ao fazer o açaí (Foto: Anny Barbosa/G1)

O agricultor Maurício da Conceição, de 64 anos, diz que toma mais cuidado ao fazer o açaí (Foto: Anny Barbosa/G1)

Após ser registrada as primeiras mortes por doença de chagas no Acre, no fim de fevereiro, moradores da comunidade Nova Cíntra, no interior do Acre, onde a vítima morava, têm evitado tomar açaí com medo da doença. Neste mês, a Saúde confirmou que Francisco Costa, e sua esposa, Celiana Silva, morreram por doença de chagas após serem contaminados pelo fruto.

A doença, causada pelo barbeiro, pode ser transmitida através do açaí quando o inseto é, por engano, moído junto com o fruto. Segundo a Saúde do município de Rodrigues Alves, quatro casos da doença já foram confirmados.

Raimundo Fredisson Costa, de 27 anos, primo do jovem que morreu pela doença, diz que a comunidade ficou em pânico e que, inclusive, parou de tomar açaí. “Foi um abalo muito grande para todos nós. Jamais imaginávamos, foi uma coisa inexplicável. Não tomo mais açaí, ficamos apavorados”, disse.

A casa onde moravam passou por uma pesquisa entomológica, procedimento que verifica a presença do barbeiro, e não foi localizado o vetor. Mesmo assim, a família e os vizinhos se dizem assustados.

A dona de casa Maria de Nazaré de Araújo, de 65 anos, também decidiu parar de tomar açaí porque se preocupa com a possibilidade da contaminação da doença. “A suspeita é do açaí. Eu e várias outras pessoas não tomamos mais por medo”, alega.

Porém, nem todos os moradores deixaram o costume de beber o vinho do açaí. O agricultor Maurício da Conceição, de 64 anos, diz que continua fabricando e tomando o açaí na comunidade, mas agora com bem mais cuidado. “Não deixei, tomo desde criança e não vou deixar agora. O importante é que tem tomar cuidado. Eu limpo, troco a água e tomo. Graças a Deus, até hoje não me aconteceu nada e espero que assim continue”, finaliza.

Entenda o caso
No último dia 12 deste mês, a Saúde confirmou que a doença de chagas foi contraída através do açaí – quando o barbeiro é moído, por engano, juntamente com o fruto. Carmelinda Gonçalves, chefe do setor, falou que essa forma de transmissão é mais agressiva e, por isso, tenha resultado na morte dos dois.

O pai do jovem morto, Hernandes Costas, de 41 anos, falou  que é comum encontrar o barbeiro nos cachos do açaí, mas que não sabia que o inseto causava doença. Outras duas filhas dele, de 12 e 14 anos, também apresentaram os sintomas.

“Acredito que tenha sido também porque a gente vê muito o barbeiro nos cachos [do açaí]. Depois da confirmação da doença de chagas, fiquei aterrorizado, mas agora estou tranquilo. Deixei nas mãos de Deus”, disse na época.

Diagnosticada com doença de chagas, a pequena Francisca Adrielly, de 12 anos, que estava na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital da Criança, em Rio Branco, ficou com uma lesão no coração, por causa da enfermidade, segundo a médica que a atende. Ela saiu da UTI na última semana.

G1 Acre


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