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Publicado em 18/12/2017 - 13:47

Sebastián Piñera vence pela segunda vez e coloca a direita na presidência do Chile

O novo presidente, que assumirá em 11 de março, teve cerca de 200 mil votos a mais do que em 2009, sua primeira eleição, segundo dados preliminares.

Do UOL,
em São Paulo.

Ao lado de Alejandro Guillier, Sebastián Piñera discursa como presidente eleito no Chile. Foto: Divulgação/Prensa Sebastián Piñera.

O bilionário conservador Sebastián Piñera, ex-presidente chileno de direita, foi eleito neste domingo (17), para o seu segundo mandato, tornando-se novamente o sucessor de Michelle Bachelet. Piñera venceu o candidato de centro-esquerda, o jornalista Alejandro Guillier. Com 99,90% das urnas apuradas, Piñera apareceu com ampla vantagem sobre o rival — Piñera teve 54,57% dos votos contra 45,43% de Guillier.

Guiller parabenizou Piñera pelo resultado antes mesmo do fim da apuração. “Temos que elevar nosso ânimo e sair para defender as reformas em que acreditamos”, disse Guillier. “Temos que trabalhar para renovar nossas lideranças e nossas reformas de ação política”, afirmou. “Creio que podemos nos sentir orgulhosos de nossas propostas, mas sofremos uma derrota dura, e são nas derrotas duras que aprendemos mais”.

Em discurso ao lado de Guiller, que fez questão de visitar Piñera no hotel em que sua equipe se reuniu para acompanhar os resultados, o presidente eleito agradeceu a visita do rival e disse que o Chile “necessita de mais acordos do que de enfrentamentos, de diálogo e colaboração porque dessa forma os países progridem
com bases sólidas”.

Em nota, o governo brasileiro parabenizou Piñera e manifestou “sua melhor disposição para trabalhar com as novas autoridades chilenas em favor do contínuo estreitamento dos fortes laços de amizade e cooperação que unem o Brasil e o Chile”.

O novo presidente, que assumirá em 11 de março, teve cerca de 200 mil votos a mais do que em 2009, sua primeira eleição, segundo dados preliminares.

O telefonema televisionado de Bachelet

Bachelet telefonou na frente das câmeras de televisão para parabenizar Piñera. “Queria ligar para parabenizá-lo e desejar-lhe uma muito boa gestão no seu mandato, porque você e eu queremos para o nosso país o melhor
para todos”, disse a presidente, que em março próximo entregará novamente opoder a Piñera, como já fez em março de 2010. Bachelet cumpre nesta uma tradição republicana, e irá tomar o café da manhã na residência do vencedor das eleições.

“Presidente, lhe agradeço muito suas palavras. Nunca tive a menor dúvida de que tanto você como eu queremos o melhor para o Chile”, lhe respondeu Piñera, num gesto que contrasta com as reprovações e críticas que ambos têm trocado nos últimos meses, e especialmente na reta final da campanha eleitoral. “Quero lhe pedir algo, porque sei que sua experiência e sabedoria como presidente podem nos ajudar muito nos caminhos do futuro”, continuou Piñera.

O ex-presidente, que governou o Chile de 2010 a 2014, é a terceira pessoa mais rica do Chile, segundo a revista “Forbes”. Entre suas promessas de campanha estão a retomada do crescimento econômico, a redução do tamanho do Estado e a separação da política dos negócios.

Mas ele precisará formar alianças com outras forças políticas para realizar qualquer reforma, já que o Parlamento eleito em novembro ficou muito fragmentado e sem qualquer grupo com maioria absoluta. Piñera é o único político de direita a governar o Chile em duas ocasiões. O presidente eleito transitou por uma linha tênue que se confunde entre a gestão de seu patrimônio e os deveres de um homem de Estado, e teve que dobrar o seu caráter impulsivo para ganhar a confiança do eleitorado de centro-direita.

Quando chegou em 2010 à Presidência, aos 60 anos, depois de duas décadas de carreira política e quatro eleições presidenciais na bagagem, dilatou a venda de ações de uma emissora de televisão e da companhia aérea LAN (agora Latam, após a fusão com a brasileira Tam).

“Aprendendo com os erros”

Em 2009, Piñera conseguiu romper com décadas de hegemonia de governos de centro-esquerda – havia sido derrotado por Michelle Bachelet em 2005 – para alcançar a presidência do Chile após ser deputado e senador, liderando, depois do retorno à democracia, a renovação da direita com a chamada “Patrulha juvenil”.

Suas promessas de uma nova forma de governar logo desmoronaram. A realidade se impôs: governar um país não é o mesmo que administrar empresas. “Ele se deu conta de que foi muito mais complexo do que pensava. Seu período no Palácio de La Moneda o fez aprender que as coisas são mais difíceis”, segundo uma de suas
biógrafas, a jornalista Bernardita del Solar.

Devido a tropeços e às piadas públicas por conta de seus erros frequentes ao citar dados históricos, compilados pelo semanário “The Clinic” nas chamadas ‘Piñericosas’, Piñera se manteve moderado nesta campanha de reeleição, traçada desde o dia em que deixou La Moneda com 50% de apoio.

Em meio à queda da popularidade de Bachelet após o escândalo de corrupção que envolveu seu filho mais velho, sua imagem de homem próspero voltou a agradar o eleitorado chileno. Sua vitória neste domingo é uma espécie de revanche para Piñera, que ao final de seu governo confessou ter “inveja” de Bachelet pelo carisma inato e pela grande proximidade que consegue com as massas.


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